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Anotando os sonhos (10) — O mistério da mulher do banco

Monday, September 3, 2012
Havia uma mulher que sentava todos os dias em um mesmo banco de uma praça qualquer. Ela estava grávida, sem dúvida nenhuma: barriga redondinha — prestes a nascer a criança, podia-se julgar pelo seu tamanho — e seios completamente cheios de leite para o futuro bebê. Eu ia nesta praça todos os dias com os meus amigos (ou uma amiga, talvez. Não me recordo completamente), não lembro muito bem nem o que fazíamos ou por que íamos sempre nesta praça. Mas era completamente confortável ficar lá.

Certo dia vimos, como de costume, essa mulher sentada ao banco, porém, já com o bebê ao colo e sem a sua barriga. Ficamos estranhando um pouco, já que esta mesma mulher, um dia antes estava sentada no banco como todos os dias, como se nada tivesse acontecido de um dia para o outro (teria ela se recuperado do parto tão rápido para ir a esta praça? Arriscava levar o filho a pegar sol, mesmo sendo recém nascido? E por fim, o quê ela tanto fazia naquela praça?). 

Gostava disso. Quero dizer, de observar as pessoas. Estávamos todos no supermercado (ou agora seria somente eu imaginando que tenho outros amigos juntos?). Achei bem esquisito ver aquela mesma mulher do banco agora no supermercado — no horário que sempre estava no banco —, procurei ficar por perto dela, não sei porque, só queria espioná-la. E foi o que fiz. 

Se teve algo que não pude deixar de notar, é que ela tinha três seios. Estranho, pensei, deve ser minha imaginação, não sei nem porquê estou seguindo ela. Mas não, não era imaginação, ela realmente tinha três seios. Dois grandes, cheios de leite para o recém nascido, e um médio, entre eles. Percebi que conversava com alguém através de um espelho redondo (daqueles que tem formato de escova, com cabo, mas é espelho). Conversava com um senhor já de idade, e pude ouvir ainda um diálogo:

— Preciso ficar 20 anos mais jovem agora! Descobriram meu disfarce. 
— Como conseguiram?
— Não sei, mas preciso ficar logo.
— Ok.

E assim, simples como um diálogo, ela se tornou 20 anos mais jovem. Queria poder ser assim: pedir e acontecer. "Senhor, preciso de seios maiores" e responderia o moço "Ok". Talvez o mundo fosse melhor assim, mas só talvez. Saí do supermercado, acho que já tinha visto coisa demais por aquele dia. Olhei para os lados e meus amigos não me acompanhavam. Realmente, acho que  nem estavam comigo quando entrei no estabelecimento, então talvez a mulher nem tivesse falado com um espelho também ou então os três seios fossem imaginação. Saí.
Assim que saí pude notar um homem também saindo. O mais estranho é que eu não o havia visto dentro do mercado. Isso que sou boa de memória, que estranho. Aquele homem que estava saindo tinha por volta de 20 anos, calvo, mas bonito. Não demorou muito para um velho (que se parecia de uma forma exagerada com o velho que falava ao espelho com aquela mulher) aparecer em frente ao mercado e falar com aquele moço de 20 anos. Consegui novamente escutar o diálogo deles:

— Tive que mudar o disfarce, desculpe senhor.
— Por que não uma mulher vinte anos mais jovem?
— Outra hora lhe explico, agora tenho que sair para não desconfiarem. 

Acordei.

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