No ano passado, em uma das turmas em que leciono, começou uma onda dos alunos de mandar o coleguinha "calar a boca". Quando jovem, eu usava muito essa expressão, mas percebi em algum momento que é horrível. Disse então aos alunos que "cala a boca" é um termo muito feio, e que poderia ser substituído por "silêncio", "vamos parar de conversar", dentre outras opções. Mas não vingou muito, porque né, adolescentes. Então eu falei da expressão "tasi", que em talian (dialeto veneto muito usado no interior do RS) quer dizer algo como silêncio, ficar quieto, ou algo assim. Pelo menos é o que outros alunos de uma cidade do interior me ensinaram, hahah.
No fim, deu certo. Os alunos gostaram muito da expressão e eles acabaram usando ao longo do ano.
Neste ano, dois desses alunos dessa turma que falei do tasi, agora estão em outra turma. E hoje aconteceu algo semelhante: um aluno pediu para o outro "calar a boca", ao que respondi que poderia ser dito de uma forma mais educada. No mesmo instante esses alunos que eram da turma X ano passado, começaram a falar o tal do "tasi".
E eu achei muito curioso, porque, realmente, falamos muitas coisas ao longo do ano para as turmas, mas não temos controle nenhum de qual das informações que passamos vai ficar gravada de alguma forma com eles. E muitas vezes nem assunto da matéria realmente pode ser o que fica na memória. E assim também tenho muitas memórias de coisas que professores falaram em aula. E pouquíssimas delas são de conteúdos.
Frases ditas por professores da época de escola que eu nunca esqueci:
"Se este aqui é um galinheiro, eu sou a maior galinha de todas"
"Não sei, não quero saber, e tenho raiva de quem sabe"
"— O que uma impressora disse para a outra?
— Essa cópia é sua ou é impressão minha?"
"Socorram-me subi num ônibus em marrocos" (esse pelo menos tinha a ver com conteúdo trabalhado)

