Resolvi aproveitar que tenho uma foto bonita e de boa qualidade (crédito depois do texto) para desabafar sobre coisas que estou pensando direto nos últimos dias.
Os últimos dois anos foram feitos a partir de diversas reviravoltas na trama da minha vida. Em 2019 foi o primeiro ano em que trabalhei desde o início do ano numa escola, na minha área de formação. Essa escola, por alguma coincidência do destino, era perto de onde minha mãe morava quando criança. Foi uma experiência incrível, e, achando que iria ficar na escola por mais uns 5 anos, comecei a fazer uma carteira de motorista para comprar um meio de transporte e ir até lá. Nesse meio tempo minha carga horária aumentou, depois disso. Comecei a estudar e fazer diversos concursos quando comecei a falar que os contratos no Estado poderiam ser fechados no final do ano (não aconteceu).
Também no mesmo ano comecei a ficar pior do que sempre estava em questão de saúde e acabei descobrindo que tenho Doença de Crohn, uma doença crônica e autoimune. E por mais que no começo eu tenha ficado bem apavorada, agora vejo que foi a melhor coisa que me aconteceu até hoje ter sido inaugurado. Com os tratamentos adequados, hoje eu tenho uma qualidade de vida que não via desde 2012, e sinceramente nem imaginava que eu poderia ter um dia isso.
Também teve greve no Estado, que acabou fazendo com que as aulas fossem até janeiro de 2020. E aqui que entra esse ano.
Em 2020 fui chamado para um dos concursos que eu tinha feito. Me mudei para uma cidade totalmente nova, tive pela primeira vez a sensação de ter um cantinho somente meu e um quarto que chamo de ateliê, onde faço minhas bonecas. Também comecei a fazer aulas de teatro, uma atividade que estava pensando em fazer há algum tempo. Um novo mundo estava se abrindo.
Daí surgiu a pandemia, mas acho que não preciso nem comentar. Foi uma loucura para todo o mundo. Fiquei desesperada diversas vezes (e ainda fico em alguns dias), fiquei até madrugada vários dias até conseguir pegar o jeito da coisa (será que já peguei o jeito?). Consegui, no meio dessa loucura, passar na carteira de motorista para carro(larguei da moto, pra quem sabia que eu estava fazendo), começar um pós e descobrir felizmente que entrei na remissão da doença depois de um ano de tratamento. E agora busco os meus objetivos para o próximo ano.
Não fiz nem perto da metade do que gostaria, muitos planejamentos foram para o ralo abaixo. Mas coisas boas surgiram também: passei mais tempo perto do Felipe, aprendendo a fazer receitas novas e melhorar o que já temos. Voltei a desenhar pela infelicidade de não ter tanto tempo para me dedicar às bonecas como gostaria, mas voltei a desenhar. Aprendi a ter mais calma em alguns momentos. E também aprender que da vida a gente não pode esperar com muita certeza nada. De 2018 até agora, pouca coisa consegui planejar, mas felizmente todas as mudanças foram positivas, e espero que continuem sendo.
Esse desabafo é bem aleatório, só queria dizer que estou feliz, apesar de bem cansada também. Acho que é o clima natalino se aproximando.
CRÉDITOS DA FOTOGRAFIA:
Fotografia : Sabrina Fragoso
Diretor/Professor : Guilherme Carniell
Espaço Coletivo das Artes

