Toda exposição de arte que eu visito, sempre acabo tirando muitas fotos das obras, e elas acabam meio perdidas nos registros do meu computador. Para deixar as fotos um pouco menos perdidas, decidi começar a postar aqui no blog um pouco sobre as exposições de arte que eu visito. Um dos objetivos de publicar assim, é para também me auxiliar na hora de organizar minhas aulas, caso eu queira mostrar para meus alunos alguma exposição que eu fui (já colocarei as legendas organizadas, etc).
Uma das exposições recentes que eu visitei e que mais gostei foi "Vende Tela Compra Terra", do coletivo de pesquisadores e artistas MAHKU (Movimento dos Artistas Huni Kuin). O coletivo foi fundado em 2013, na Terra Indígena Kaxinawá do Rio Jordão.
Vou colocar as fotos das obras e também textos explicativos que estavam no panfleto (e de outros sites também).
Para ficar mais organizado, separei por artistas!
Obras de PEDRO MANÁ:
Pedro Maná. "Desenho inspirado no contrato de compra de terra", 2022.
Hidrocor sobre papel, 21 x 29 cm. Coleção particular.
Tradução: Fazer pinturas e vendê-las para os brancos com muito dinheiro para comprar terras. Construir preservando a natureza e continuar a trabalhar.
Pedro Maná. Não encontrei o nome da obra, me perdi na organização das fotos.
Detalhes da obra acima, que não encontrei o nome.
Obras de ACELINO TUIN:
Obra de CLEIBER BANE:
SOBRE HUNI KUIN
Huni Kuin é uma etnia indígena que reúne cerca de 16.000 pessoas na floresta amazônica, entre o Acre e o Peru.
“Vende tela, compra terra” é o lema que permitiu ao coletivo adquirir, em 2014, 10 hectares de terra onde agora se encontra o Centro MAHKU Independente.¹ O coletivo estabelece um modo de atuação capaz de oferecer condições de subsistência ao povo Huni Kuin, a partir da comercialização da produção artística visual, inspiradas nos rituais e na retomada de saberes ancestrais, em especial os humi meka, cantos que conduzem os rituais com ayahuasca.
A base da produção artística do coletivo consiste em transformar e traduzir os huni meka, mirações (visões e sensações associadas ao consumo ritual da ayahuasca) e alguns miyui kaya ("histórias verdadeiras", também chamadas de "mitos" pelos Huni Kuin) em pinturas, murais e desenhos. Por meio de suas obras, os artistas criam pontes, mobilizam o olhar do público - majoritariamente não indígena - e permitem que este entre em contato com dimensões específicas da cultura Huni Kuin. ²
É necessário entender o contexto de violência que afetou os Huni Kuin durante o ciclo da borracha, a partir do final do séc. XIX, onde foram submetidos a um regime de escravidão por dívidas imposto pelos não indígenas - sistema de trabalho no qual recebiam de seus patrões um adiantamento em mercadorias a ser quitado por meio da produção mensal de látex. Esse sistema mantilha os indígenas em estado de endividamento permanente, devido à defasagem constante entre o preço pago pela borracha e o valor dos bens fornecidos em troca.
Hoje em dia, em diálogo direto com essa experiência histórica de exploração, os membros do MAHKU dão continuidade às práticas de resistência Huni Kuin por meio da inserção de suas obras no mercado de arte. Eles se utilizam do interesse dos colecionadores privados por seu trabalho, bem como do valor atribuído recentemente a essa produção no mundo da arte.
"A tela é também uma arma nossa. Quer dizer, é nosso produto, nossa produção, assim como a música. Somos nós que estamos produzindo. Então, virou isso, vende tela, compra terra. Vende tela, compra casa. Vende tela, compra motor. Vende tela, compra alimentação, vestimenta, medicamento. Vende tela e ajuda alguns parentes. Então, a tela vai seguindo viva assim". - Ibã Huni Kuin
Referências:
¹ https://mam.rio/programacao/nakoada-mahku-sinopse/
² Texto dos curadores Ibã Huni Kuin e Daniel Dinato, retirado do panfleto entregue na saída da exposição. A maior parte do texto que coloquei no blog foi retirado deste panfleto.
https://35.bienal.org.br/participante/mahku/
















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